O dia em que eu adotei a Caju

Adotar um cachorro é ser responsável por uma vida. E que vida! Conheça minha experiência com adoção.

caju e cristiano ronaldo

05 de Outubro de 2018. Esse foi o dia em que tudo começou. Quando escrevo este post, parece que essa data foi há uns cinco anos. Mas não, mal passaram-se cinco meses.

Foram anos de planejamento e imprevistos. Eu sempre tive uma insegurança de que não daria conta, e esperar o momento certo foi a coisa certa a se fazer. Afinal, animais são abandonados a todo momento e tenho certeza de que um pouco de planejamento reduziria esse número de maneira absurda. Mas é só palpite.

Quais serão os gastos mensais? Ração, banho, petiscos… Eu tenho esse dinheiro? Onde ela – sempre quis uma cadela – vai ficar? Onde vai comer, onde vai fazer as necessidades? Qual vai ser o horário do passeio?

Isso deve ser cerca de 10% dos questionamentos que tive antes de adotar um cachorrinho. Eu queria ter certeza de que eu estava pronto. Afinal, não é uma coisa, um enfeite, um brinquedo… é uma vida. E eu seria responsável por ela.

Anos se passaram e, várias leituras e conversas depois, decidi que era hora. Conversei com algumas pessoas e, menos de uma semana depois, já tinha data marcada pra ela chegar.

05 de Outubro de 2018.

O resgate

Ao que tudo indica ela sempre morou na rua. Três ou cinco anos, ninguém sabe ao certo. Os dentes dizem três, a aparência física e problemas de saúde, cinco.

Sempre dócil, vivia apanhando de outros cachorros na rua. Quando foi resgatada, estava em um estado bem próximo de crítico: uma pata cheia de pus e um buraco de mordida no pescoço, também com pus.

O resgate foi feito por uma pessoa – responsável por um lar temporário – que morava ali por perto da rua onde essa cadelinha preta costumava ficar.

Vieram os cuidados e a castração. Depois um post no Facebook. E aí a carona até a casa nova.

A chegada

Quando a recebi, a sensação foi inesperada. Depois de tanto planejamento, parecia que eu havia me precipitado. Não se tratava de arrependimento, mas um sentimento estranho pra mim.

Não tinha nada de errado com ela. Cuidei das feridas durante alguns dias, mas isso não era nada que me fizesse mudar de ideia ou coisa do tipo. Minha intenção, inclusive, era a de adotar uma cadela adulta que havia passado por algum tipo de dificuldade.

Mansa, nem um latido sequer, nenhuma sujeira ou destruição dentro de casa, obediente… enfim, todas as qualidades possíveis. Mas parecia haver alguma incompatibilidade, não sei, e até fiquei deprimido durante a primeira semana.

Mesmo assim, jamais deixei de dar atenção e carinho.

caju machucada
Um dos registros do resgate

Claro que foi passageiro e em pouco tempo eu já não imaginava passar um dia sem ela por perto – ainda mais levando em conta que eu trabalho em casa.

Estou contando isso porque sei que pode acontecer com qualquer um, e é algo difícil de se falar assim, abertamente. E se estiver acontecendo isso com alguém agora, só tenho uma coisa a dizer: não desista.

Caju

As primeiras dificuldades foram meio que inesperadas: com os brinquedos. Ela não sabia o que era brincar, não fazia ideia de o que era um brinquedo. Cordas, bolinhas, pelúcias… nada disso.

Com o tempo e muita persistência, ela começou a brincar com um uma pelúcia. Algumas semanas depois foi a vez puxar uma cordinha, e então vieram outros brinquedos de roer e, agora, as bolinhas.

No geral o que ela puder morder e tentar destruir ela topa. Esses dias ela pegou um sapato e um tênis da minha namorada. Se perguntarem se eu apenas ri da situação, não vou negar nem afirmar.

Quando ela chegou e deitou na caminha pela primeira vez, se ajeitou de um jeito em que ficou parecendo uma castanha de caju.

E assim surgiu o nome. Talvez eu seja criativo demais ou apenas meio louco.

Ela também não gostava de alguns petiscos como biscoitos e até algumas frutas. De repente passou a comer praticamente de tudo, mas ainda não é muito fã de algumas coisas.

Obediência nunca foi um problema. Nos primeiros dias ela não entendia os comandos mais básicos. Sempre assustada e temendo que estava prestes a apanhar mesmo sem o menor sinal disso (afinal, o que é um carinho?), ela sempre prestou atenção, sempre alerta. Logo já sabia sentar, ficar, onde deitar, o que não fazer e por aí vai.

Não demorou muito para que ela começasse a tentar acordar a gente pra passear, pedir carinho e, é claro, aprontar.

Mas nesse ínterim, preocupações mais graves chamavam a atenção.

Os problemas

As feridas no começo eram uma pequena preocupação perto de o que estava por vir.

Primeiro, o básico e já esperado: ela começou a testar pra ver quem é que mandava na casa. Alguns rosnados e latidos viraram castigo e até uma certa preocupação com visitas, mas com pouco tempo ela entendeu qual era seu lugar.

Hoje ela ainda é muito medrosa e não gosta de visitas e de outros cachorros. Na maioria das vezes ela rosna, além de tremer – mas era de se esperar. A gente não sabe o que ela passou na rua.

E a coceira interminável? Pensei que era ansiedade por causa da mudança, casa nova e tudo mais. Mas não parava, era algo que estava me deixando aflito porque ela parecia estar sofrendo. Em pouco tempo os pelos começaram a cair, e parecia que ela estava causando isso com a coceira.

Após uma tosa, vimos que a pele dela estava cheia de feridas. Nenhum parasita, pulga nem nada. Uma ida ao veterinário e algumas medicações, shampoo e spray protetor depois, as feridas passaram e os pelos cresceram. E nada de coceira!

O baque veio quando reparei duas bolinhas na barriga dela, próximo às mamas. Exames constataram tumores malignos, e a cirurgia de remoção das duas cadeias mamárias era iminente.

caju no parque
Dia de parque!

Não perca as contas: Aqui estamos no segundo mês de adoção.

Quem a resgatou trabalhava em um hospital público veterinário e nos deu toda ajuda e suporte necessários. A primeira parte da cirurgia foi tranquila, e a biópsia apontou que o tumor não era, de fato, malígno – também não se espalhou.

Infelizmente essa cirurgia tem duas partes. Por tirar muita pele, é preciso remover uma cadeia mamária de uma vez e, depois de um a dois meses, a outra. A segunda parte está prestes a ser marcada.

Ela não aparenta nenhum sinal de dor e a recuperação foi tranquila.

E minha vida?

Se arrependimento matasse… eu não teria nenhum problema com isso.

Estou mais motivado a fazer as coisas, posso fazer pausas durante o trabalho pra brincar e passear, chegar em casa sempre é uma festa… acho que se, no fundo, eu tiver algum arrependimento, é de não ter adotado antes. Mas o momento certo era esse.

Foi e está sendo trabalhoso lidar com tudo isso, mas não é nada que me faça acordar pela manhã e logo repensar as coisas. Também conto com a ajuda e apoio incondicional de minha namorada, porque de fato aconteceu muita coisa em muito pouco tempo e seria ainda mais difícil lidar com isso sozinho.

Honestamente? Não tenho do que reclamar.

Só quero que ela fique bem logo, e essa é minha intenção desde o primeiro dia: 05 de Outubro de 2018.

caju piscando

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O dia em que eu adotei a Caju

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Formado em Publicidade e Propaganda e Design de Publicidade, trabalha com web design e desenvolvimento, mas sempre arruma um tempo pra ler, estudar e escrever sobre cães. Atualmente mora com a Caju, vira-latinha resgatada da rua. Siga no twitter!

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