A importância da castração

Conheça as vantagens e a importância da castração na vida de cães e gatos. Além disso, tire dúvidas sobre como funciona o procedimento e valores.

cachorro deitado no chão com colar elizabetano

A castração é um tema repleto de dúvidas e mitos. Por exemplo, você sabe com que idade o cachorro ou gato pode ser castrado? Quais são os benefícios desse procedimento cirúrgico? Ou se existe algum malefício?

Além disso, é uma questão que divide opiniões, não só de tutores, mas também de veterinários. Portanto, a melhor forma de decidir por qual caminho seguir é buscando por informações seguras e atualizadas.

Por essa razão, conversamos com a veterinária Sarah Mota. A especialista em Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais nos contou em detalhes sobre como funciona o processo de castração, qual a sua importância e as vantagens em optar por esse procedimento. Acompanhe!

Benefícios da castração

Segundo a veterinária, a castração é benéfica para a segurança, conforto e bem-estar do animal. Isso porque, com esse procedimento os pets tendem a mudar de comportamento.

Por exemplo, gatos acabam passando mais tempo em casa, pois não sentem mais a mesma necessidade de explorar ou caçar. Cadelas e gatas, por sua vez, também param de se expor para os machos como fazem na época do cio.

“Eles ficam mais calmos, mais dóceis e mais amorosos. Um ou outro animal, dependendo da raça e da genética dele, mantém os mesmos hábitos”, esclarece Sarah Mota.

Mas, além da questão comportamental, a castração ainda traz benefícios para a segurança dos animais. Como passam mais tempo em casa, eles ficam livres de possíveis envenenamentos e atropelamentos.

Machos, tanto gatos como cães, não precisam brigar por fêmeas no cio. Assim, evitam ferimentos provenientes dessas disputas.

Tudo isso sem falar dos benefícios à saúde dos pets. Com a castração “você consegue evitar as doenças sexualmente transmissíveis, e no cão, principalmente, o tumor venéreo transmissível (TVT), que é responsável pela disseminação do câncer nos animais”, alerta a veterinária.

Além do TVT, a castração também impede o desenvolvimento de outros problemas de saúde, como piometra, câncer no útero e nos ovários, e consegue reduzir as chances do animal ter câncer de próstata. 

Importância para a causa animal

Para Sarah, a castração é completamente benéfica na causa animal. Isso porque, é através desse processo que há o controle populacional de cães e gatos em situação de rua.

Os animais se reproduzem muito rápido. Uma gata, por exemplo, consegue parir a cada três meses. Imagina a cada três meses uma ninhada de seis ou sete filhotes. Já uma cadela consegue parir de duas a três vezes por ano, de sete, oito ou 12 filhotes por vez.

Sarah Mota

E a veterinária continua “esses animais vão acabar indo para rua. Então, temos problemas com atropelamento e risco de zoonoses”. Tudo isso sem contar no sofrimento que o animal nessas condições acaba passando. 

Como funciona a castração?

De acordo com a médica veterinária, o primeiro passo para castrar o animal é fazer uma consulta geral no pet. Nesse caso, o profissional deve realizar um hemograma, bioquímico e exames de imagem, como a ultrassonografia. 

Feito todos esses procedimentos e constatado que o animal pode passar por uma cirurgia, já é possível marcar a castração. Mas, no dia anterior ao procedimento cirúrgico, o cão ou gato deve ficar em jejum alimentar de 12 horas e em jejum hídrico de 6 horas.

“Esse é o tempo dele evacuar as fezes e a urina para que a gente consiga ter um bom resultado. Isso porque, o pré-anestésico induz o vômito e o animal que vomita em processo de sedação, pode aspirar e asfixiar, morrendo por causa daquele vômito”, alerta Sarah Mota.

Falando em anestesia, é importante conversar com o médico para entender com qual método ele trabalha e se é viável para o seu companheiro de quatro patas. Pois, dependendo do tipo de anestésico utilizado, o animal vai acordar mais rápido ou vai demorar mais tempo para despertar. 

Em alguns casos, é necessário que o pet fique internado na clínica em observação durante 24 horas. Em outras situações, ele pode sair andando após a cirurgia.

Com o animal sedado, o profissional deve começar a cirurgia. “Nos machos são retirados os testículos e nas fêmeas o couto (trompas e útero) e os ovários”, explica a veterinária.

Recuperação

A roupa pós-cirúrgica ajuda a proteger os pontos.

Após a cirurgia, o animal castrado deve ficar em repouso e tomando os remédios recomendados pelo médico veterinário. Segundo Sarah, a recuperação de gatos e cães são mais simples, já as fêmeas dessas espécies precisam de cuidados especiais.

Portanto, a veterinária recomenda que a gata ou cadela fique em casa durante cinco dias, para dar tempo de uma cicatrização interna. Também não é recomendado passeios ou brincadeiras intensas, pois essa cirurgia é bastante invasiva nas fêmeas.

“Não precisa utilizar um monte de remédio no caso das fêmeas, basta apenas limpar com clorexidina, passar uma água ou até mesmo um soro fisiológico. Só não deixe o animal lamber, porque a boca dele tem bactérias”, explica Sarah Mota.

Para evitar a lambedura, a especialista em Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais indica o uso de roupinhas pós-cirúrgicas. O único alerta nesses casos é com a higienização dessa vestimenta, pois de nada adianta limpar os pontos e usar a mesma roupa do dia anterior. 

Já sobre a retirada dos pontos, Sarah informa que vai depender de alguns fatores. Segundo a profissional, em alguns casos, é possível tirar os pontos com até sete dias, principalmente em gatos.

“Mas, o ideal é entre 10 e 15 dias, a depender mesmo do processo de cicatrização, do organismo do animal e da limpeza do local”, esclarece.

Além disso, a médica ressalta a importância da retirada dos pontos. “Tem proprietário que deixa o ponto lá mesmo, mas o organismo [do animal] entente que aquele ponto é um corpo estranho. Então, inicia-se um processo de inflamação para expulsar aquele ponto. Em gatos, isso pode gerar um sarcoma”, alerta.

Dúvidas frequentes

Leu até aqui e ainda tem algumas dúvidas sobre a castração e como ela age no organismo dos animais? Então, separamos seis dúvidas mais comuns dos tutores e, com a ajuda da veterinária Sarah, respondemos todas elas. Confira!

Com qual idade o animal deve ser castrado?

Essa é uma questão que divide opiniões entre os veterinários. De acordo com Sarah Mota, o indicado é 14 meses para cães machos e para as fêmeas entre o segundo e o terceiro cio.

Assim, o animal sai da fase da puberdade para entrar na fase adulta, respeitando a liberação de hormônios que são necessários para conformação óssea e muscular.

“Vários estudos estão sendo realizados e estão mostrando que animais com displasia coxofemoral, com ruptura muscular e com hérnia na parte posterior, são animais castrados muito jovens”, explica. 

Já no caso dos gatos, a veterinária recomenda uma idade menor, pois os felinos são mais precoces ao entrarem no cio. Além disso, acabam saindo muito de casa em busca de acasalamento, tornando-se alvos de envenenamento ou atropelamentos. 

Por tudo isso, a profissional indica o processo cirúrgico para gatos a partir dos oito meses de idade e gatas entre o quinto e sexto mês de vida.

No entanto, há profissionais que defendam a castração precoce, isto é, antes do primeiro cio, tanto em cadelas como em gatas. 

De acordo com um trabalho desenvolvido para o 11º Encontro Científico Cultural Interinstitucional (ECCI), o risco de desenvolver câncer de mama é relativamente menor em fêmeas castradas antes do primeiro estro. 

Por essa razão, alguns veterinários orientam a castração antes do primeiro cio. Apesar disso, é recomendado que o tutor busque conversar com um veterinário de confiança para decidir a época certa para o animal.

Imagina o trabalhão!

Animais castrados engordam?

Depende. É natural que o animal fique mais tranquilo após a castração, por isso pode adotar um estilo de vida mais pacato, predominando o sono e a fome. Nesse sentindo, é comum que ele acumule gordura.

“Mas, se você castra o animal e consegue manter um ciclo de atividade física nele, ele não engorda”, tranquiliza a veterinária.

Quando o cachorro é castrado ele cruza?

Segundo Sarah Mota, os cães que já tinham o hábito de montar nas fêmeas, podem continuar com esse mesmo instinto após a castração. Mas, não há chance de reprodução, pois eles não possuem mais espermatozoides.

Qual o valor de uma castração?

O valor da cirurgia vai depender de diversos fatores, como o porte do animal, o gênero e o tipo de procedimento adotado pelo veterinário. 

O procedimento em fêmeas é mais caro que nos machos. Além disso, quanto maior for o pet, mais cara a cirurgia vai ser. Segundo a veterinária, o porte do cão vai definir a quantidade de anestesia utilizada e esse produto é o mais caro do processo. 

“Quando é um anestésico de melhor qualidade, então a cirurgia vai variar entre R$ 450 até R$ 800, a depender do porte do animal. Se for uma cadela de grande porte, o proprietário vai estar conseguindo por, no mínimo, R$ 600, mas sem os exames”, afirma.

Além disso, o preço da castração depende da cidade, uma vez que os preços em capitais são superiores aos preços cobrados em cidades do interior.

Posso dar vacina anticio na minha cadela/gata?

Para Sarah, a vacina anticio é uma “bomba de hormônios” no organismo das fêmeas. “Animais que tomam injeção anticio, eles têm uma grande possibilidade de desenvolver piometra ou câncer de mama ou em outros órgãos, em qualquer fase da vida”, alerta a veterinária.

Por essa razão, não é recomendando expor o animal dessa maneira. E a melhor solução para impedir as ninhadas indesejadas e cuidar da saúde e do bem-estar do pet é a castração.  

Existe malefício da castração?

De acordo com a especialista em Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais, o único malefício da castração é realizá-la antes da época apropriada.

“Castrando o pet muito cedo, você tem o problema de conformação e estrutura. Então, no futuro, você vai acabar gastando com tratamento ortopédico e com cirurgia de hérnias, pois a parede celular do animal fica muito fácil de ser rompida”, finaliza.


Médica veterinária Sarah Mota (CRMV-BA 5744).
Graduada pela Faculdade de Tecnologia e Ciências e Pós em Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais pelo Instituto Qualittas de Pós Graduação. Reikiana 3-A.

Katharyne Bezerra é jornalista (MTB-PE: 6750), formada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela UniFavip-DeVry. Atua como ativista ambiental e animal desde 2014 e já foi presidente de uma ONG de proteção ambiental durante 4 anos. Desde 2015 escreve sobre animais para diversos sites. Atualmente, é tutora de três pets, Pepita, Padoca e Charles. Siga no instagram!
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